(eu procurei uma imagem...juro que procurei...)
(vivendo e sobrevivendo) Esses dias ando um pouco saudosista...não paro de pensar em "bons tempos que não voltam mais". Bons tempos mesmo.
Tempos onde meus amigos eram amigos, o objetivo era um só para todos, e o respeito e a consideração eram mútuos. Tempos onde juntar a galera pra fazer um som na praça aos domingos (ou segundas, terças, quartas, quintas, sexta e sabados) era show de bola. Tempos onde íamos para festas ver os amigos tocarem e eramos recebidos como VIP's. Tempos onde todos curtiam a vida, e curtiam muito.
Outro dia minha esposa me chamou pra ir num barzinho com umas amigas, e lá tinha uma banda se preparando pra tocar. Por obra do destino, acabaram usando meu amplificador de baixo, e acabei tocando com o pessoal por quase 1 hora. Nunca tinha visto essa galera, nunca tinha visto a banda, mas foi um dos "shows" (tá...foi mais uma jam do que um show) que eu mais curti na minha vida. Toquei musicas que nunca tinha tocado antes com nenhuma outra banda, nem com o minha. Pulei, cantei, gritei, curti pra caralho. E senti vontade de juntar todo mundo que um dia já tocou comigo pra fazer uma "jam session". Seria gente pra caramba.....pelo menos 3 bateristas, 5 guitarristas, 6 vocalistas, 3 percurssionistas, 1 tecladista....até comentei com a minha esposa sobre essa vontade que me bateu. Mas acho que isso não aconteçe não....
Cada um seguiu seu caminho, não importa se é um caminho que eu considero certo ou errado. A escolha é de quem fez, e somente ela pode tirar o máximo dessa escolha. Se dessa forma eles vão ser feliz, então otimo, pois quero mais é que todos sejam felizes em suas vidas...e se não der certo esse caminho, sempre existe a opção de erguer a cabeça e começar de novo. Todo mundo pode fazer isso, não importa a cor, credo, tamanho da conta bancária, opção sexual ou qualquer outra diferença que nos fazem ser únicos. O que importa é ser feliz.
E tem também as pessoas que começam a percorrer caminhos errados por influências erradas. Hoje mesmo tive uma decepção enorme com uma pessoa que está nessa situação. Essa pessoa simplesmente fez algo que nunca tinha feito antes, sem avisar, sem perguntar "Posso?", sem nada. Simplesmente fez. Isso me prejudicou, me irritou, me estressou, e com certeza uma conversa séria vai rolar daqui uns dias. Se não fosse época de "festas", essa conversa já teria rolado, mas não estou afim de acabar com o Natal de ninguém, especialmente o meu.
Pra terminar, indico que escutem o famoso "Filtro Solar", ou na voz do Pedro Bial, ou na voz de Baz Luhrman, ou apenas a leitura do texto original (de Mary Schmich)......não tem nenhuma novidade nesse texto/musica ou qualquer outra interpretação, mas todos devemos ouvir/ler esse texto várias vezes na vida, assim como todos deveriam ler "O Pequeno Príncipe" no mínimo 3 vezes na vida.
Por quê todos deveriam ler O Pequeno Principe pelos menos 3 vezes na vida? Leia e entenderá....ou não.
Não lembro direito o mês, mas foi em 2002 que resolvi deixar o cabelo crescer. Até então, eu usava cabelo raspado na maquina 2. Fazia isso porque, depois que virei adolescente, meu cabelo passou de "enrolado bonitinho" para "crespo bombril", e sempre que ficava com mais de 1 dedo de comprimento já ficava horrível. Fiquei de saco cheio e resolvi deixar crescer pra mudar um pouco.
Foram 6 anos "cabeludo". Nesses 6 anos, fiz de tudo com o cabelo, de rastafari a chapinha (graças à minha esposa.....lógico....vocês acham que eu faria isso por livre e espontânea vontade?). Nesses 6 anos, aconteceram muitas coisas que mudaram totalmente minha vida, e não somente minha aparência.
No mesmo ano de 2003, operei a tireóide. Sofria de hiper-tireoidismo, pesava 53kg (tenho 1,77m de altura, era um "pau de virar tripa"), e depois 6 meses fazendo um tratamento com um médico que parecia não entender nada do que estava fazendo, fui pra faca. Lógico que, antes disso, meu médico (outro médico, não esse que não entendia nada) me proibiu terminantemente de fazer qualquer atividade física de impacto. Ou seja: parei de surfar, parei de ir pra academia, parei com tudo que fazia. Pra completar, descobriram que essa doença havia piorado uma outra doença que eu tinha, mas falo dela daqui a pouco.
Lembro até hoje: tive alta do hospital, e fui fazer minha recuperação na casa da minha mãe, pois morava sozinho na época. Saí do hospital, minha mãe estava comigo, peguei o carro e fomos pra estrada rumo à cidade onde ela mora. Parei no posto pra abastecer e aproveitei para colocar o Sem Parar no carro. Nem me lembrava do curativo enorme no meu pescoço, e enquanto eu estava com o rapaz colocando o dispositivo no carro, um outro cliente, que esperava sua vez, perguntou para minha mãe:
"-Nossa, foi linha de pipa com cerol que cortou ele no pescoço? Que ruim, eu já vi isso várias vezes, ainda bem que ele está bem."
E minha mãe, toda orgulhosa, respondeu:
"-Que nada, ele fez uma cirurgia, saiu da UTI tem menos de 24 horas!!!".....
Segundo minha mãe, esse rapaz ficou mais branco que o fundo dessa pagina....hehehehe. Amigos meus nao conseguiam nem olhar para mim por causa do curativo, e eu só conseguia virar a cabeça no estilo "Batman", virando o ombro junto.
6 meses depois, voltei a fazer tudo que tinha sido proibido...surf, academia, bike....
6 meses depois, tava proibido de novo, dessa vez por causa do coração. Como disse antes, a doença na tireóide agravou a doença congênita que tinha no coração, que era calcificaçao da válvula aórtica. Meu organismo trabalhava acelerado, e isso acelerou o processo todo. E do nada, precisei parar com tudo novamente, com o risco de cair morto sem nenhum aviso.
Já estavamos em 2004, e só fui operar do coraçao em 2006. Entre o dia que o medico falou "Pode parar com tudo" e o dia que eu operei, eu casei e virei pai. Na verdade, só operei porque virei pai, caso contrário não teria passado pelo que passei com essa cirurgia.
Em junho de 2006, começo da Copa do Mundo, eu operei a primeira vez. 1 semana depois tive alta, e 3 dias depois eu apaguei durante o banho. Tive acumulo de liquido no pericardio, minha pressao nao passava de 8 por 5, minha orelha estava transparente e eu mal conseguia respirar. Resultado: nova cirurgia pra remover 1440ml de liquido no pericardio. Vi o Brasil ser eliminado pela França na cama da UTI, mas pelo menos resolveu meu problema.
Tudo isso aconteceu quando eu era um cabeludo.
Agora, cortei o cabelo, chega de ser cabeludo. Foram 6 anos assim, 6 anos passando por coisas boas e por coisas que nem quero me lembrar.
Como será que vão ser os próximos 6 anos?